Este blog não possui nenhuma afiliação social, empregatícia, financeira ou política a não ser comigo mesmo. As opiniões expressas aqui refletem meu ponto de vista sobre assuntos aleatórios e nada mais. Comentários são mais do que bem vindos, são encorajados, positivos ou não. Até prefiro comentários oposicionistas, afinal um mundo que pensa igual é desprovido de inovação. Portanto, sinta-se em casa. Espero que ler minhas verborréias esporádicas traga-lhe o mesmo prazer que tenho produzindo-as.

[ваκκєr]

P.S. Algumas vezes algo que eu quero expressar não pode ser dito (apenas) com palavras, então vai parar em meu fotolog ao invés de aqui. Confira-o de vez em quando.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

AES Eletropaulo - O débito que não havia.

Hoje, 27 de fevereiro de 2009, por volta das 16:20 fui contactado por um serviço automatizado que requeriu minha identificação positiva e então me informou de débito em minha instalação de luz. Apesar de falar por muitos minutos em nenhum momento a mensagem fazia menção ao valor do débito ou a que mês se referia. Querendo obter essas informações e uma segunda via da conta (uma vez que esta conta está em débito automático e nem mesmo deveria estar pendente) liguei para o 0800 7272120 onde após navegar um menu numérico fui instruído a digitar o número da minha instalação que deveria se encontrar "no topo da minha conta de luz". Após tentar o número do Medidor, que se encontra em destaque e no topo da minha conta de luz, procurei pelo termo "Instalação" e o encontrei por volta da metade da folha referente à minha conta de luz, em local confuso e sem destaque. Após digitar este número várias vezes e ser informado de que esta instalação não existia, fui informado de que todos os atendentes estavam ocupados (possivelmente porque o sistema automatizado estava mandando todos os clientes para o atendimento não-automatizado, pois ele é incapaz de reconhecer um número de nove dígitos). Disposto a conseguir confirmação ainda hoje do débito (e incapaz de conseguir um extrato bancário pois a ligação ocorreu depois das 16 horas) entrei no site, pedi segunda via da conta, digitei meu número de Instalação e fui informado de que não havia débito.
Se o sistema de cobrança fosse capaz de checar meu número de Instalação por sí só ele teria feito esta descoberta sozinho e economizado uma ligação telefônica, além do meu tempo em horário comercial. O número de falhas nessa ocorrência já era enorme quando, ao acionar o formulário da Ouvidoria, fui incapaz de descrever a ocorrência porque no meio do primeiro parágrafo já acabara o espaço, me obrigando a criar este arquivo de texto. O sistema também exigiu de mim um número de protocolo (apesar de não haver um asterísco vermelho indicando que o campo fosse obrigatório) e nunca houve nenhum protocolo pois só fui atendido por sistemas automatizados e via Internet. Para piorar, o arquivo TXT que continha o original deste texto foi recusado pois o “formato do arquivo é inválido” e me foi exigido um arquivo Word ou Acrobat, ambos softwares comerciais caros que nem todo cliente tem instalado em casa (pelo menos legalmente), enquanto o formato TXT é livre, aberto e compreensível por praticamente qualquer sistema operacional sem nenhum software adicional.
Melhorem seus serviços automatizados, eles existem para economizar tempo, não para perder mais. Sistemas automatizados incapazes de entender os números digitados são inúteis. Integrem seus sistemas de cobrança, não emitam telefonemas supérfluos. Re-estruturem sua conta de luz, o único número que vocês exigem do usuário está escondido em um mar de outros números e outros que só fazem sentido para uso interno estão em destaque; a conta é emitida para o consumidor, não para o funcionário Eletropaulo. O mesmo vale para o sistema de Ouvidoria, ele existe para melhorar as relações entre consumidor e empresa e não para satisfazer os delírios do departamento de TI.
Desde já agradeço a atenção dada a este e-mail e pela existência deste canal aberto de comunicação entre o cliente Eletropaulo e a empresa.

Eduardo Ferreira Fontes Mercer
Instalação nº xxxxxxxxx

É isso aí. Se vier alguém cortar a luz da minha casa, vier uma cobrança indevida ou qualquer outra coisa, não digam que eu não tentei pagar. E a prova está no e-mail deles e aqui no blog, pra ninguém negar. Malditos.

sábado, 22 de novembro de 2008

Revolução, na física e na minha alma

Estive fora de mim por tempo suficiente. Sofrendo por algo pior do que um amor impossível: um amor perfeitamente possível, mas por uma pessoa cabeça-dura demais para vivê-lo como é. Paciência, quiçá um dia ela caia em si. Eu cairei fora, por enquanto. Já me machuco o suficiente sem a ajuda dela.
Mas esse post não é sobre isso. Ele coincidentemente compartilha a essência dessa mudança de atitude. E fala sobre um assunto dos mais áridos e nerd do universo: física.
Durante mais de um século a física moderna se viu dividida em dois ramos irreconciliáveis: a astrofísica, que se preocupa com a interação dos grandes corpos celestes, as estrelas e buracos-negros, o tecido espaço-temporal e os wormholes e a física de partículas, preocupada com as divisões do átomo, as interações entre partículas sub-atômicas, suas massas e suas cargas. Até o século dezenove o modelo molecular de Dalton funcionava perfeitamente em sintonia com a física de Isaac Newton e Galileu Galilei, mas várias descobertas práticas puseram este modelo à prova e em 1900 Max Planck deu origem à mecânica quântica ao teorizar que a energia é irradiada e absorvida em 'elementos energéticos' discretos ou quanta (singular quantum). Foi baseado na hipótese quântica de Planck que Albert Einstein, livre para teorizar no marasmo do escritório de patentes de Berna, postulou que a própria luz se dividia em elementos discretos, partículas que vieram a se chamar fótons e cuja incompreensibilidade causou a divisão do universo em dois modelos matemáticos incompatíveis (levando o próprio Einstein a rejeitar certos aspéctos da mecânica quântica).
Ao generalizar o princípio da relatividade de Galileu, Einstein literalmente revolucionou nossa visão do universo. E = mc². Energia é igual a massa vezes o quadrado da velocidade da luz. Todos os coitados de nós que estudaram análise dimensional (eu inclusive) sabem que este postulado é um tiro no pé. Energia é energia, massa é massa. Equalizar os dois é pior do que dizer que dois é igual a três, é como dizer que dois é igual a verde, ou menos pi é igual a gosto de frango. Entretando foi, 103 anos depois da publicação da teoria da Relatividade Geral de Einstein, exatamente o que um time de físicos da França, Alemanha e Hungria provou com o auxílio de supercomputadores.
Os anos entre a fundação da mecânica quântica e hoje foram coalhados de teorias unificadoras bizarras. As tentativas de fazer o universo das particulas sub-atômicas concordar com o dos planetas e das estrelas levaram as maiores mentes do mundo, gente como Carl Sagan e Stephen Hawking, a crer que o universo tivesse dez, onze ou mais dimensões. Espere aí, profundidade, largura, altura... tempo. Quatro. De onde vem as outras seis ou mais ? Fácil - diz Dr. Hawking com seu sintetizador de voz - das supercordas, dimensões enroladas ao redor de si mesmas como barbantes interplanetários. Fácil pra você, Robocop ! Eu não caio nessa não ! Eu quero um universo com o qual eu possa interagir, três dimensões mais tempo, no máximo ! E foi usando apenas isso que, tentando provar outra coisa, os físicos liderados pelo Centro de Física Teórica da França provaram matematicamente a relação entre energia e massa.
A massa dos prótons e neutrons era um mistério matemático. Estas partículas elementares são compostas de quarks e glúons, sendo que os glúons tem massa zero e todos os quarks somados não passam de 5% da massa total. Então onde diabos se escondiam os outros 95% da massa de um próton ou neutron ?
Glúons e quarks interagem energeticamente e essas interações mantém-nos juntos. Modelar todas essas interações entre partículas requer mais capacidade matemática do que meros seres humanos possuem, mas são o arroz-com-feijão dos computadores. Programados para analizar estas interações energéticas os computadores chegaram à conclusão nada surpreendente mas totalmente revolucionária de que a energia do movimento das partículas é a massa que falta depois de computar os quarks.

Energia é massa. Pausa para apreciar a dança da vitória do fantasma de Albert Einstein.

Mas porque eu estou comemorando esta vitória da Relatividade Geral como uma derrota da Teoria de Cordas e suas irmãs bizarras ?
Porque o modelo de universo utilizado pelos cientistas para modelar e calcular as interações energéticas das partículas sub-atômicas não é feito de dez ou onze supercordas dimensionais enroladas umas nas outras como um novelo de lã universal, e sim uma estrutura cristalina de quatro dimensões com pontos quânticos bem definidos em cada linha e coluna, como a teoria da gravidade quântica em loop que eu tenho defendido por tantos anos !

Pausa para apreciar a dança da vitória dos fantasmas de Galileu, Planck, Newton e Einstein formando um lindo chorus line de físicos geniais.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

A maior coincidência do universo

Um engenheiro da Universidade Purdue, em Indiana, Estados Unidos, criou um método para a separação química entre o oxigênio e o hidrogênio da água sem uso de eletricidade, através da introdução de uma liga de alumínio e gálio no ambiente aquoso. O óxido de alumínio, também conhecido como alumina, é um grande isolante elétrico, e em sua forma pura, o alumínio tende a formar uma camada de alumina que repele a água, fazendo com que a oxidação seja apenas superficial (motivo pelo qual o alumínio é tão utlizado em aplicações sujeitas à oxidação). A adição de gálio à formula impede a formação desta camada, permitindo que o alumínio se oxide por completo e liberando todo o hidrogênio da água no processo. Controlando-se a adição da liga à água produz-se hidrogênio sob demanda (eliminando os custos de pressurização e armazenagem) e o gasto energético da produção da liga é muito inferior ao da divisão da água por eletrólise. A alumina resultante pode ser tornada novamente em alumínio metálico através do processo de Bayer, que é a principal forma de produção de alumínio do mundo (o minério de alumínio, ou bauxita, é formado principalmente de alumina). Já o gálio é um metal de ponto de fusão muito baixo (ficando líquido a partir dos 30°C) e não presente em forma pura na natureza e sua principal fonte é a própria bauxita (onde ele está presente numa proporção de 50 partes por milhão) e é de extrema importância para a indústria eletrônica (o nitreto de gálio [GaN] é usado em optoeletrônicos e painéis solares e o arseneto de gálio [GaAs] é utlizado na produção de diodos emissores de infravermelho e de laser).
Mas um tipo específico de nitreto de gálio, o nitreto de gálio-alumínio (AlGaN) é usado para um tipo ainda mais específico de diodo emissor de luz: os da faixa entre o azul e o ultra-violeta, os mesmos LEDs utilizados na leitura dos discos Blu-ray. Se a demanda de gálio aumentar graças à produção de hidrogênio barato, o composto que mais sofreria, sem sombra de dúvida, é o AlGaN, uma vez que faz uso de ambos elementos.
Será possível que uma tecnologia que não tem nada a ver com vídeo digital finalmente decida o vencedor na guerra entre HD-DVD e Blu-ray ?