Este blog não possui nenhuma afiliação social, empregatícia, financeira ou política a não ser comigo mesmo. As opiniões expressas aqui refletem meu ponto de vista sobre assuntos aleatórios e nada mais. Comentários são mais do que bem vindos, são encorajados, positivos ou não. Até prefiro comentários oposicionistas, afinal um mundo que pensa igual é desprovido de inovação. Portanto, sinta-se em casa. Espero que ler minhas verborréias esporádicas traga-lhe o mesmo prazer que tenho produzindo-as.

[ваκκєr]

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Lasciatemi Morire

Piergiorgio Welby morreu na manhã do dia 20 de dezembro de 2006, aos 60 anos de idade (completaria 61 no dia de kwanzaa, 26 de dezembro). Diagnosticado com distrofia muscular em 1962, as condições físicas do poeta italiano deterioraram até 1997, quando ele passou a precisar de um respirador artificial. Sua condição tomou um rumo ainda pior no final do ano passado, quando Welby se tornou totalmente incapaz de falar, escrever e se alimentar, apesar de se manter totalmente consciente. No dia 19 convenceu seu médico a sedá-lo e desligar os aparelhos que o mantinham vivo.
Welby, profuso escritor e poeta, nunca foi especialmente conhecido por sua literatura, mas como um membro do Partido Radical e propagandista da legalização da eutanásia Welby fez muito barulho. Em 2006 publicou um livro intitulado Lasciatemi Morire, ou Deixem-me Morrer. A Italia (como o Brasil) é profundamente católica e lá (como aqui) a eutanásia é vista como um crime contra a vida e pode ser punida com 15 anos de cadeia.
Seu livro causou grande desconforto entre os italianos, que só fez piorar em novembro quando Welby escreveu uma carta aberta ao presidente Giorgio Napolitano requisitando o mesmo direito que belgas, suiços e outros nacionais da Europa tem de morrer em paz. O comunista napolitano previsivelmente negou a Welby o direito de decidir quando terminar sua própria vida, direito que foi reiteradamente negado pelos tribunais.
O terceiro momento de desconforto causado por Welby em 2006 foi seu ato final de desobediência civil, terminando sua própria vida. Desconforto tal que levou a Igreja a negar a Welby (católico fiel) o direito a um velório e o Papa Bento XVI a usar seu sermão do domingo 24 de dezembro, véspera de Natal, para reiterar a crença da igreja na santidade da vida humana até seu fim natural.
Natural é a palavra em questão aqui. Não houvesse hoje em dia condições tecnológicas para mantê-lo vivo, Welby teria falecido em 1997 ou, mesmo que sobrevivesse, não teria passado de novembro, quando tornou-se incapaz de se alimentar. Então não seria a Igreja obrigada a impedir, em primeiro lugar, que seus fiéis fizessem uso de artifícios que prolonguem a vida ? Onde começa e termina a definição de vida sagrada e natural da Igreja ?
A verdade é que a Igreja moderna perdeu o rumo quando perdeu a chance de sancionar o uso de camisinha pelos fieis. De lá pra cá (e historicamente em dezenas de momentos) os católicos são culpados por milhões de mortos, doentes, rejeitados, os mesmos nescessitados que Yehoshua Natsaraya (Jesus Cristo para os menos íntimos) pregava ajudar. O combustível da Igreja, aparentemente, é a hipocrisia.

Um comentário:

Dk_ disse...

enfim, a igreja concordou em separar-se da ciência, mas utiliza-a para prolongar a vida dos seus fieis.(what?)
A ciência mais as suas engenhocas evitam que o fim natural da vida chegue tao cedo...
As ideias catolicistas por vezes sao tao vagas...